LITERATURA COMO MEMÓRIA: OS PERDEDORES DA HISTÓRIA EM VIDAS SECAS, DE GRACILIANO RAMOS / LITERATURE AS A MEMORY: THE LOSERS OF HISTORY IN VIDAS SECAS, BY GRACILIANO RAMOS

Autores

  • Isabela Cristina Rodrigues Azevedo (UERJ) Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Faculdade de Formação de Professores

DOI:

https://doi.org/10.5935/1984-6614.20210002

Palavras-chave:

Literatura. História. Registro. Vidas secas. Graciliano Ramos. Walter Benjamin.

Resumo

Este artigo se propõe a apresentar uma leitura à obra Vidas secas (2013), de Graciliano Ramos, na qual a literatura é porta-voz do silenciado pelo discurso histórico. Após contrastar as áreas de saber, literatura e história, dada sua igual construção baseada no discurso linguístico, aponta-se para a situação sócio-histórica das personagens da obra. Com base em Walter Benjamin (1987), as personagens são aqui entendidas como perdedores da história, ao passo que Getúlio Vargas – presidente ditador do Brasil no período de publicação da obra – figura como dominador e agente do apagamento político da minoria abordada por Graciliano. Sem ter a obrigação de o ser, literatura é também memória em Vidas secas.

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Publicado

2021-07-04

Edição

Seção

Filosofia, Política e Literatura