MEMÓRIA, ESQUECIMENTO E SILÊNCIO: UMA LEITURA DE A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS / MEMORY, FORGETFULNESS AND SILENCE: A READING OF A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS

Autores

  • Lorrana Almeida Salles (UERJ) Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Shirley de Souza Gomes Carreira (UERJ) Universidade do Estado do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.5935/1984-6614.20210011

Palavras-chave:

Memória. Esquecimento. Silêncio. A máquina de fazer espanhóis.

Resumo

Este trabalho visa a examinar o modo como a ficção se apropria do passado histórico em A máquina de fazer espanhóis (2016), de Valter Hugo Mãe, recriando-o pela via da memória de um narrador que, ao fim da vida, defronta-se com lembranças por muito tempo apagadas. Esse processo de rememoração traz à baila as relações entre memória, esquecimento e silêncio, que, no âmbito da narrativa, reportam-se à necessidade do protagonista de eximir-se da colaboração com o mecanismo de repressão estatal salazarista. Para tanto, analisaremos os efeitos dessa tríade à luz de textos teóricos de Márcio Seligmann-Silva (2003; 2008) e Michael Pollak (1989; 1992; 2010).

Biografia do Autor

Lorrana Almeida Salles (UERJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Mestranda em Estudos Literários do Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística (PPLIN) da UERJ.

Bolsista CAPES.

Shirley de Souza Gomes Carreira (UERJ), Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutora em Literatura Comparada (UFRJ), Professora Adjunta do Departamento de Letras da FFP/ UERJ, Docente permanente do Programa de Pós-graduação em Letras e Linguística (PPLIN) da UERJ, Bolsista do Prociência UERJ/FAPERJ.

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Publicado

2021-07-04

Edição

Seção

Identidades